Escrevi esse poema
Para lembrar com alegria
Dessas saudades que guardo
No tempo da pandemia.
Saudade dos cordelistas
Dos poetas, dos artistas,
Das palestras, da zuoada.
Com a saudade crescendo
Eu vou terminar dizendo:
Eita saudade danada!

A minha segunda-feira
É um dia sem lazer
Acordo sempre disposto
Porém não tenho prazer.
Na mente vem as lembranças
Das escolas, das crianças,
André, Mariana, Paula…
A turma toda animada,
Eita saudade danada
Da minha sala de aula.

Na terça-feira me lembro
Que nas nossas livrarias
Os poetas se juntavam
Para recitar poesias
E para ouvir escritores
Falando dos seus valores
Numa festa relicária,
Linda, rica e arretada,
Eita saudade danada
De uma Terça Literária.

Nas quartas-feiras à noite
Meu coração dá um nó
Apertado de saudade
Do nosso CÊ- ERRE-Ó.
Me visto de fantasia
Recito uma poesia
Mas não me sinto legal,
E digo à porta trancada:
Eita saudade danada
De recitar no sarau.

Para espantar a tristeza
Agarro meu violão,
Mas já na primeira nota
Palpita meu coração.
Lembro do samba de roda,
Mathias cantando moda
Com aquele vozeirão,
Sempre animando a moçada
Eita saudade danada
Do meu Bando Fabião.

Quando chega a quinta-feira
Dá vontade de cantar.
Quando sofejo dois versos
Sinto a lembrança chegar.
Os artistas reunidos,
Muitos amigos queridos
Numa conversa informal.
E eu grito lá da sacada:
Eita saudade danada
De uma Quinta Cultural.

Nas noites de sextas-feiras
Eu fico olhando as estrelas,
Lembrando das serenatas
Na esperança de vê- las.
Lembro aquela multidão
Cantando ao som do violão
Bonito de arrepiar.
Na ruazinha apertada,
Eita saudade danada
Das serenatas ao luar.

No sábado pela manhã
Eu sintonizo o radinho
Para ouvir a FM
Tocando samba e chorinho.
Então me lembro da graça
Do pessoal lá na praça
Com o melhor choro que há.
E digo para minha amada:
Eita saudade danada
Do Choro no Caçuá.

José Acaci
20/03/2021