No jornal Potiguar Notícias – Segunda Edição, o jornalista Otávio Albuquerque entrevistou o professor Ozildo Segundo, que falou sobre o projeto “Pé na Estrada Para o ENEM”, o qual trata-se de um grupo itinerante de professores que viajam por municípios do Rio Grande do Norte oferecendo aulas gratuitas para as populações dessas localidades. Além de Ozildo (língua portuguesa), o trabalho ainda é formado por Olavo Vitorino (geografia) e Alex Alvarez (matemática, inglês e espanhol).

Segundo o professor, o grupo foi formado ainda em 2018 na cidade de Touros, a fim de minimizar os impactos causados pela pandemia da covid-19, sobretudo no que concerne ao fomento das disparidades que sempre existiram no campo educacional, levando-se em consideração a comparação entre o ensino aferido nas redes pública e privada. Para ele, ainda, esse projeto ratifica a essência da profissão do educador, uma vez que utiliza o conhecimento a partir de um caráter altruísta, seja no auxílio aos alunos ou às escolas que não possuem os aparelhos necessários para contemplarem as aulas remotas.

Em relação à possibilidade do estado distribuir os aparatos tecnológicos para jovens e crianças oriundos de estratos menos favorecidos, o educador ressalta: “durante este período de pandemia, o estado abdicou de sua responsabilidade em garantir o acesso dos cidadãos ao ensino. Nesse sentido, nós reivindicamos que o poder público reestruture as escolas, preparando-as para o retorno às aulas presenciais. Na verdade, a rede pública de ensino sofre com o descaso dos governantes, os quais não demonstram interesse em assegurar que indivíduos contemplem o conhecimento”.

No que se refere a um possível papel de exclusão educacional que o ENEM promove, Ozildo Segundo opina: “diante do ‘apartheid’ que vivemos no âmbito da educação, é plausível acreditar na ideia do exame como uma ferramenta excludente, tendo em vista que as escolas particulares rapidamente se adaptaram à modalidade remota e seus estudantes não foram prejudicados com a interrupção das aulas.

Por fim, sobre o conceito de ‘mérito’ difuso no país, o professor enfatiza: “eu acredito que só podemos associar a noção de mérito com um ideal de justiça, a partir do momento que pudermos apreciar uma sociedade pautada pela igualdade, isto é, quando todos os indivíduos tiverem os mesmos direitos no campo social, econômico e político. Em outras palavras, as pessoas possuem, ao longo de suas vidas, condições e oportunidades diferentes, fato que refletirá diretamente em um possível sucesso na academia ou no mercado de trabalho”, finaliza.

 

Para assistir à entrevista, acesse o link: https://youtu.be/5KZrEanvrf0