18
fev 2009
postado por André Fonseca as 1:48 am
“A nossa indústria do cinema é um lixo. Faz filmes ridículos, faz novelinhas. É o padrão estético da Rede Globo”. É assim, sem papas na língua e com uma visão crítica e inquieta, que o consultor e pesquisador em políticas culturais Leonardo Brant vem marcando presença no setor cultural brasileiro há cerca de dez anos. Seja como conferencista e palestrante, seja atuando à frente da Brant Associados ou seja articulando redes em torno da discussão sobre políticas culturais, como faz no Cultura e Mercado.
A indústria audiovisual nacional foi um dos temas que pautaram nossa extensa conversa, em clima bem informal, para a quinta edição do podcast do Cultura em Pauta. Leonardo falou sobre a Ancine (”temos uma agência de cinema que trabalha em cima do paradigma de Hollywood”), o mercado audiovisual (”as empresas globais de entretenimento têm muito mais vantagens para explorar o mercado brasileiro do que o pequeno produtor”) e a questão do financiamento (”o Brasil dá um caminhão de dinheiro para as majors poderem distribuir o Homem Aranha aqui dentro”). Disse ainda que o nosso modelo de negócio para o cinema é insustentável e que o governo dá mais incentivo financeiro aos filmes que concorrem ao Oscar do que à Programadora Brasil.
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06
fev 2009
postado por André Fonseca as 11:07 pm
O Festival de Cinema de Berlim teve abertura ontem, quando os membros do júri da competição oficial participaram de uma coletiva de imprensa. É interessante observar, em suas declarações, que a conversa sobre cinema foi bem além dos filmes em si.
O cineasta Gaston Kaboré, de Burkina Fasso, lembrou da importância de se fazer filmes na África: “Há gente que morre todos os dias no mar, tentando ir para a Europa. Talvez o cinema seja um modo de dizer a eles que não é uma desgraça ter nascido na África”.
Já Wayne Wang, mais conhecido no Brasil pelo filme “Cortina de Fumaça”, defendeu filmes de baixo orçamento e a utilização de canais alternativos de exibição e distribuição, como o You Tube. O cineasta – cujos dois últimos filmes foram rodados em digital – citou um novo tipo de câmera, a flip (de valor menor que U$100) e defendeu que quantidades desse equipamento fossem compradas e enviadas à África “para que as pessoas lá possam falar as coisas do seu ponto de vista”.
Presidente do júri, a atriz oscarizada Tilda Swinton afirmou que não adianta os festivais de cinema revelarem novos talentos e bons filmes se as distribuidoras não comprarem esses títulos e os lançarem no mercado, ajudando a formar o público para um outro tipo de cinema.
Cinema enquanto expressão de identidade cultural. Democratização do acesso ao ato de filmar. Novos canais de exibição. Formação de público. São questões emblemáticas de uma nova pauta para a questão audiovisual, que vai além da mera produção. É bacana observar que esse tipo de discussão chegou a um dos três mais importantes festivais de cinema do mundo. Seria mais bacana ainda se essas discussões fossem mais fomentadas aqui no Brasil, onde o sistema de leis de incentivo e os editais de secretarias pouco contribuem para que o foco do setor audiovisual seja tirado da produção.
06
fev 2009
postado por André Fonseca as 12:46 am
O governo anunciou ontem um acréscimo de R$142,1 bilhões de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A previsão inicial de gastos para o período de janeiro de 2007 a dezembro de 2010 era de R$503,9 bilhões e agora sobe para R$646 bilhões, aplicados em três eixos de infra-estrutura: logística de transporte, energia e social e urbana.
A cultura, em mais uma demonstração emblemática de como ainda não é vista em seu papel estratégico e transversal para o desenvolvimento, ficou de fora do Programa desde o início. Em “compensação”, ganhou uma espécie de PAC próprio, o Mais Cultura. Anunciado com pompa no final de 2007, o programa previa gastos de R$2,2 bilhões até 2010, vindos do orçamento da União.
As promessas na época incluiam a criação do vale-cultura (que continua como promessa nos discursos de Juca Ferreira), 20.000 Pontos de Cultura nos próximos três anos e meio (ainda nào chegaram a 1.000, em meio a reclamações freqüentes de atrasos no repasse de verbas) e microcrédito para produções culturais (uma lei publicada em dezembro passado aumentou significativamente os impostos das produtoras culturais optantes pelo Simples).
Comparemos as perspectivas para a cultura no Brasil que se abriram com o início da gestão Lula (e Gilberto Gil assumindo o MinC) com o cenário nesta reta final de mandato. Será que estamos realmente progredindo?
05
fev 2009
postado por André Fonseca as 11:57 pm
Estão abertas as incrições para o Grupo de Trabalho (GT) “Cultura e Desenvolvimento: perspectivas políticas e econômicas”, que ocorrerá durante o XIV CISO (Encontro de Ciências Sociais do Norte e Nordeste), entre 08 e 11 de setembro, em Recife. O objetivo do GT é abrigar pesquisas e reflexões, a partir de uma perspectiva interdisciplinar, sobre as políticas culturais e seu papel no desenvolvimento das sociedades contemporâneas.
05
fev 2009
postado por André Fonseca as 11:57 pm
A FGV/RJ iniciará no dia 02 de março o curso Film & Television Business – Formação Executiva em Cinema e TV. Na pauta, gerência e liderança de projetos para TV e Cinema, etapas do processo executivo de uma obra audiovisual, técnicas de negociação de uma produção e história do cinema e da TV no Brasil. Maiores informações aqui.
05
fev 2009
postado por André Fonseca as 11:52 pm
O Projeto Ademar Guerra, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, abriu nesta semana inscrições para dois editais: seleção de profissionais de teatro para atuarem como orientadores artísticos de grupos teatrais do interior em processo de pesquisa e/ou montagem de espetáculos e seleção de grupos teatrais que receberão a orientação artística.
05
fev 2009
postado por André Fonseca as 11:43 pm
Ainda vale a pena repercutir aqui uma notícia que recebeu destaque do Cultura e Mercado, mas parece ter passado meio batida pelo setor cultural: a publicação de uma lei, em dezembro passado, que aumenta a tributação para as produtoras culturais optantes pelo Simples. Leia aqui.
02
fev 2009
postado por André Fonseca as 9:15 pm
A Fox investiu cerca de 130 milhões de dólares para produzir “Austrália” e a Tourism Australia mais 32 milhões em uma campanha publicitária para atrair mais turistas ao país, tendo o filme como eixo central. A ação envolvendo cultura e turismo foi planejada em conjunto pelas duas empresas. Mas algumas semanas após a estréia do filme, analistas internacionais começam a questionar se a aposta não foi alta demais.
Na Austrália, o filme rendeu 29 milhões em seis semanas, colocando-o como segunda maior bilheteria no país nos últimos doze meses, atrás apenas do último Batman. Nos EUA, os números decepcionaram e até agora o filme arrecadou cerca de 48 milhões, incluídos na bilheteria mundial de cerca de 83 milhões até o momento. Tudo indica que a Fox vai conseguir apenas recuperar o valor gasto na produção, mesmo com as críticas em geral demolindo (com razão) o épico romântico de Baz Luhrman.
Mas ainda resta saber se a Tourism Australia conseguirá atingir seu objetivo de atrair mais turistas, estrangeiros ou não. A infeliz coincidência de o lançamento do filme ter ocorrido pouco tempo após a confirmação oficial da crise econômica não deverá ajudar.