Uma referência na gestão de secretarias de cultura
No início do mês, foi anunciado em Minas Gerais que o economista Paulo Brant assumiria o cargo de secretário de Estado da Cultura, substituindo Eleonora Santa Rosa, que alegou razões pessoais para deixar a função. Na ocasião da posse oficial, o governador Aécio Neves enalteceu alguns dos programas oficiais da Secretaria – como o Filme em Minas e o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura – e os volumes de investimentos da pasta. Porém, números, editais e prêmios não parecem bons tradutores da dimensão da gestão de Eleonora, que tornou referência nacional a pasta que comandou por três anos e mostrou que políticas públicas para a cultura precisam ir além de mecanismos de financiamento.
Uma das ações mais interessantes foi o investimento na formação de gestores públicos, com programas realizados em munícipios-chave, que se comprometeram com uma articulação regional, potencializando o alcance da ação.
A ex-secretária também entendeu que uma secretaria de Estado deve dialogar com os municípios - uma obviedade na teoria, mas que pouco acontece na prática – seguindo uma política de descentralização similar à experiência do projeto “Cultura em Movimento” empreendido na gestão de Cláudia Leitão quando esteve à frente da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará entre 2003 e 2006. Eleonora viajou pelo interior de Minas, dialogou com agentes culturais locais, divulgou o Sistema Nacional de Cultura e conheceu as demandas dos locais por onde passou.
É preciso agora aguardar para ver como as próximas gestões irão trabalhar com o que se conheceu desses municípios e suas necessidades. Mas Eleonora vai embora deixando um bom exemplo de gestão de uma secretaria de cultura.
Vale a pena ler esta entrevista que ela concedeu ao jornal O Estado de S. Paulo em maio passado, na qual demonstra sua visão crítica e apurada do setor cultural.

