Seminário Internacional de Gestão Cultural começa em Belo Horizonte

Uma palestra de Alfons Martinell, da Espanha, deu a largada, na 3a à noite, do 1o Seminário Internacional de Gestão Cultural, que ocorre em Belo Horizonte até o dia 07, com realização da Duo. O primeiro seminário realizado no país em torno desse tema recebeu cerca de 700 inscrições para 320 vagas (preenchidas por processo seletivo). Segundo a organização, há representantes de 21 Estados entre os participantes, numa evidência de que a mais do que necessária reflexão sobre a gestão cultural começa a despertar um maior interesse dos profissionais de cultura do país.

Maria Helena Cunha e Alfons Martinell, na abertura do seminário. Crédito: Tiago Lima.Intitulada “La gestíon cultural entre la proximidad y la cooperacíon cultural internacional”, a palestra de abertura de Martinell versou sobre o surgimento de novos espaços geopolíticos e identidades transnacionais, que associados aos efeitos da chamada Sociedade da Informação, estariam provocando mudanças significativas nos processos culturais e conseqüentes mudanças de paradigma para a gestão cultural. O diretor da Càtedra Unesco de Polítiques Culturals I Cooperació, da Universidade de Girona, afirmou que um dos grandes desafios da gestão cultural é saber atuar localmente, mas sem esquecer do cenário global onde está inserida. Embora pouco aprofundada, a palestra passou o recado dos contextos locais, nacionais e internacionais para os quais os gestores de cultura deverão estar atentos se quiserem ser capazes de responder com rapidez às mudanças e desafios que lhes farão frente no exercício de suas profissões

A primeira mesa de debates ocorreu na manhã seguinte: “Pensando a gestão cultural a partir dos desafios do desenvolvimento brasileiro: economia, mercado e fomento”. Com a ausência (não justificada) de Paulo Miguez, a discussão foi bem encaminhada por Ana Carla Fonseca Reis e André Urani, do IETS. Assunto para reflexão não faltou.

André analisou a questão do desenvolvimento por uma ótica econômica. O desafio da formulação de estratégias locais e de longo prazo para as metrópoles foi um dos pontos mais significativos. A fala de Ana Carla prosseguiu a análise, mas agora incluindo o viés da cultura. Ela dissertou sobre a gestão cultural como gestão de fluxos e estratégia de desenvolvimento.

Ana Carla Fonseca Reis, Ana Flávia Machado e André Urani. Crédito: Tiago Lima.

Algumas reflexões em comum pontuaram a palestra inicial e esta primeira mesa de debates. A necessidade da convergência entre interesses públicos, privados e da sociedade civil e a multiplicidade de protagonistas pensando a questão pública – assim como o papel fundamental da cultura nesse processo – me pareceu a mais evidente.

Em tempos de crise econômica mundial e perspectivas de um cenário nebuloso (Juca Ferreira anunciou esta semana que o atual cenário não permitirá o aumento do orçamento do MinC em 2009), os temas da cooperação internacional e da convergência de interesses tratados neste início de seminário ganharam uma dimensão ainda mais relevante.


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