18
jan 2010
postado por André Fonseca as 8:37 pm
Thelma Bonavita é coréografa, bailarina e fundadora (ao lado de Cristian Duarte) da Associação DESABA. A iniciativa realiza projetos de dança contemporânea com foco na produção de conhecimento e pesquisa e venceu o APCA de melhor pesquisa em dança em 2008.

A coréografa e bailarina Thelma Bonavita. Crédito: Ramona Poeranu.
“A dança contemporânea não tem público porque as próprias condições que são dadas para esse exercício são totalmente contraproducentes”. Essa é uma das reflexões que a artista faz nesta edição do podcast, onde nós conversamos sobre o cenário geral da dança contemporânea no Brasil. Além das questões usuais de ausência de políticas culturais e de busca por financiamento, a área enfrenta dificuldades específicas, como a formação de público, a pouca articulação entre os profissionais da dança e o pouco investimento – público ou privado – em projetos de pesquisa, algo fundamental para o desenvolvimento da dança.
Entre outros temas, Thelma fala sobre a urgência de se repensar os modelos de produção para projetos que não têm uma estrutura comercial, o papel do artista na sociedade atual e os reflexos dos modelos de editais públicos de financiamento. Ela também compara o cenário da produção cultural antes e depois da Lei Rouanet e critica o alto investimento público na São Paulo Companhia de Dança: “Eu não posso administrar o dinheiro público como se eu fosse uma empresa privada”.
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26
set 2009
postado por André Fonseca as 3:37 pm
Oxigênio é um projeto que criei em parceria com a Associação Desaba, com o objetivo de provocar uma reflexão sobre a sustentabilidade atual da produção de dança contemporânea em São Paulo.
Além dos problemas comuns enfrentados por quase toda a área cultural (como ausência de políticas públicas consistentes e dificuldade de financiamento), a dança contemporânea depara-se com algumas questões mais particulares: pouca articulação entre o setor, dificuldades na formação de platéia, desconhecimento do seu perfil atual de público, baixo interesse de empresas patrocinadoras, pouca cobertura do jornalismo cultural e falta de mais investimentos em pesquisas (elemento essencial para o desenvolvimento da área).
O cenário atual das companhias e artistas de dança contemporânea na cidade de São Paulo é bastante crítico. Criou-se uma dependência geral do setor em torno dos editais de fomento à dança lançados pela Secretaria de Cultura, e boa parte (senão maioria) dos projetos apenas se concretizam se forem selecionados pelo edital. Enquanto algumas companhias conseguem ser facilmente aprovadas, outras ficam permanentemente excluídas do acesso. O que era para ser fomento tornou-se praticamente um patrocínio, e a relação dos artistas com o poder público ganha ares paternalistas.
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04
ago 2009
postado por André Fonseca as 12:06 am
É boa a ideia do projeto Plataforma Estado da Dança, organizado pelo Teatro de Dança, vinculado à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. O evento, que tem início hoje e pretende se tornar anual, irá apresentar 21 espetáculos, a maioria deles selecionados no edital 2008 do ProAc (Programa de Ação Cultural), desenvolvido pela Secretaria. Convidados nacionais e internacionais ligados a festivais de dança já tiveram suas presenças confirmadas, pois o objetivo é divulgar a produção de dança do estado de São Paulo – essencialmente a contemporânea, pelo perfil dos espetáculos – e aumentar suas possibilidades de circulação para outros estados e países.
A questão da circulação é de fato um dos pontos que precisam ser melhor trabalhados na dança contemporânea , mas é igualmente necessária uma ação em torno do financiamento e da sustentabilidade dos artistas e grupos que atuam nessa área. É uma produção que ainda se encontra distanciada dos patrocínios via leis de incentivo, e que pouco tem conseguido sobreviver sem os editais públicos de financiamento. E não se pode apenas apontar o dedo para as empresas investidoras, pois parte da responsabilidade do problema reside no comportamento dos próprios artistas e companhias, normalmente acomodados com o reberimento de dinheiro estadual.
Em 2008, a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo investiu R$1,8 milhão na área de dança, por meio de três editais do ProAc, e mais R$1 milhão pelo Programa de Incentivo à Dança Paulista, cujos recursos vieram de uma parceria com empresas patrocinadoras, via Lei Rouanet. Ou seja, de recursos orçamentários diretos na produção, foram R$1,8 milhão, o que é pouco para todo o estado. Para efeito de comparação, apenas na criação da São Paulo Cia. de Dança, também no ano passado, foram investidos R$13 milhões. O que demonstra a demanda urgente pela entrada de novos recursos além da fonte estatal.
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14
nov 2008
postado por André Fonseca as 2:13 am
Presenciei uma situação interessante na 3a à noite, quando fui assistir, no Teatro Sérgio Cardoso, aqui em São Paulo, “Jardim de Tântalo”, o inquietante e exigente espetáculo da Cia. Borelli de Dança. A apresentação fez parte de um evento organizado pela Secretaria de Estado da Cultura, o Conexão Internacional da Dança, que durante todo o mês de novembro reunirá apresentações de diversas companhias nacionais e internacionais.
Enquanto eu aguardava o início da apresentação, notei que uma grande turma, composta por jovens e adultos, entrava na sala ao mesmo tempo. Era nítido que não se tratava daquela parcela de público que estamos habituados a ver em espetáculos de dança contemporânea, ainda menos numa 3a feira à noite. Como o texto de apresentação do evento no catálogo (assinado por André Sturm, da Secretaria) falava em formação de platéia, logo imaginei que seria provável que aquelas pessoas fizessem parte de alguma ação dessa ordem, o que pude comprovar mais tarde, conversando com um funcionário do teatro: eram alunos de uma escola pública, que tiveram direito a um ônibus para o transporte ida e volta.
Começa o espetáculo. Na primeira cena, um bailarino se despe completamente. A turma do grupo escolar morria de rir. Alguns pedidos de silêncio ecoaram pela platéia, vindos da outra turma, a dos espectadores habituais. Não adiantou.
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29
out 2008
postado por André Fonseca as 11:03 pm
A 5a edição do Programa Municipal de Fomento à Dança, em São Paulo, está com edital aberto. Serão selecionados até 15 projetos no valor máximo de R$250.000 cada um. O investimento total é de cerca de R$1,9 milhão. As inscrições vão até o dia 05 de novembro.
27
set 2008
postado por André Fonseca as 1:37 pm
Ainda que com atraso, vale a pena postar aqui alguns comentários sobre um debate ocorrido em São Paulo no início de agosto, sobre políticas públicas para a dança. O evento fez parte da Mostra (IN)dependente de Dança?, realizada pela Cia. Borelli de Dança e o Teatro de Paisagem.
Foram convidadas três instituições: Funarte, Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Somente a última esteve presente, através de Vanessa Lopes e Elaine Calux, ambas do Núcleo de Dança. Dudu Oliveira, produtor da Cia. Borelli, contou que conversou pelo telefone com a secretária de João Sayad, secretário estadual de Cultura, e que esta, ao saber do tema do debate, perguntou se iriam discutir a São Paulo Companhia de Dança, afirmando ser esta “a menina dos olhos do secretário”. Vale a pena lembrar da polêmica ocorrida no início do ano envolvendo a criação desta companhia.
Mas o desinteresse pela discussão de políticas públicas não ficou restrito às instituições. O público era composto por cerca de 20 pessoas, e era difícil saber se a razão foi divulgação inadequada ou pura falta de interesse (aposto em ambas). E a dificuldade de estimular a mobilização da classe de dança foi justamente um dos pontos debatidos. O mediador Marcos Moraes lembrou da falta de um maior envolvimento no processo político de aprovação da Lei Municipal de Fomento à Dança. E Raymundo Costa (Cooperativa Paulista de Dança) foi mais além: “Ainda estamos longe de poder peitar as pessoas que interessam sobre políticas públicas”.
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