Tributação e financiamento para a área cultural precisam de atenção

O Jornal do Brasil publicou ontem um artigo assinado por Marina Vieira, produtora cultural do Rio de Janeiro. Ela assinala diversas questões ligadas à sua área de atuação para chamar a atenção para um dos sérios problemas que afetam o setor cultural brasileiro: a ausência de linhas de crédito e financiamento para empresas da área, e que sejam compatíveis com suas especificidades, ainda não compreendidas pelos bancos.

É um problema que está relacionado a outros que têm sido recentemente discutidos, como o mercado paralelo de notas ficais que é comum em nossa área, a lei aprovada em dezembro passado que aumentou a tributação das produtoras culturais ou as reuniões de cooperativas com empresas patrocinadoras que limitam a quantidade de proponentes cooperados em seus editais de patrocínio.

O fato é que a dinâmica de produção e os modos de atuação na área cultural necessitam de um entendimento mais específico, que possa servir ao seu desenvolvimento e não trabalhar contra ele. É uma tarefa que os profissionais do setor e os órgãos públicos de cultura deveriam iniciar.

ATUALIZAÇÃO (13/10): A Câmara aprovou hoje projeto de lei complementar que permite o enquadramento das micro e pequenas empresas de “produção artística e cultural” no Supersimples, retornando-as à tributação de no mínimo 4,5% que pagavam antes da aprovação da Lcp 128 no final do ano passado. O projeto segue agora para o Senado.


Gravadora faz parceria inédita com revista para alavancar venda de cds

A queda na venda de cds nos Estados Unidos do início do ano até agora (em comparação com o mesmo período do ano anterior) atingiu 14%. Já é mais do que a diminuição de 8,5% verificada no ano passado, em comparação com 2007. Junte-a isso dados que comprovam aumentos na venda digital de músicas individuais e está armado o cenário para as gravadoras testarem novos modelos de negócios para os cds.

Capa do encarte-revista no novo cd de Mariah Carey

Capa do encarte-revista no novo cd de Mariah Carey

A estratégia que será utilizada pela Island Def Jam Music Group no lançamento do novo cd de Mariah Carey, “Memoirs of an Imperfect Angel”,  é uma amostra da situação (ou desespero) da indústria fonográfica. O album, que será lançado em setembro, terá um encarte customizado, que será na verdade uma mini-revista de 34 páginas, com produção e layout da revista Elle. Além do material padrão dos encartes de cds (letras, fotos e ficha técnica), haverá três editoriais com a cantora e diversos anúncios. Estes irão cobrir totalmente o custo de produção do encarte/revista.

Como a existência de lojas “físicas” para a venda de cds também está em queda livre, parcerias com canais alternativos de distribuição estão na mira da gravadora. As lojas da Walmart  irão vender o cd na seção de produtos de beleza, juntamente com um perfume lançado pela cantora e que também é anunciado no encarte.

A mini-revista será lançada nas primeiras tiragems do cd nos EUA (um milhão de cópias) e no mercado internacional (500.000 cópias).


Aposta no filme “Austrália” foi alta demais?

Nicole Kidman terá que correr muito para recuperar os investimentos e expectativas em cima de \"Austrália\"A Fox investiu cerca de 130 milhões de dólares para produzir  “Austrália” e a Tourism Australia mais 32 milhões em uma campanha publicitária para atrair mais turistas ao país, tendo o filme como eixo central. A ação envolvendo cultura e turismo foi planejada em conjunto pelas duas empresas. Mas algumas semanas após a estréia do filme, analistas internacionais começam a questionar se a aposta não foi alta demais.

Na Austrália, o filme rendeu 29 milhões em seis semanas, colocando-o como segunda maior bilheteria no país nos últimos doze meses, atrás apenas do último Batman. Nos EUA, os números decepcionaram e até agora o filme arrecadou cerca de 48 milhões, incluídos na bilheteria mundial de cerca de 83 milhões até o momento. Tudo indica que a Fox vai conseguir apenas recuperar o valor gasto na produção, mesmo com as críticas em geral demolindo (com razão) o épico romântico de Baz Luhrman.

Mas ainda resta saber se a Tourism Australia conseguirá atingir seu objetivo de atrair mais turistas, estrangeiros ou não. A infeliz coincidência de o lançamento do filme ter ocorrido pouco tempo após a confirmação oficial da crise econômica não deverá ajudar.


Publicação sobre economia criativa está disponível para downloade

A Garimpo de Soluções e o Observatório Itaú Cultural tiveram a iniciativa bacana de lançar – e disponibilizar para download gratuito – a publicação “Economia Criativa como estratégia de desenvolvimento: uma visão dos países em desenvolvimento”. Trata-se de uma compilação de artigos de diversos especialistas mundiais. A organização é de Ana Carla Fonseca Reis, que já foi convidada em um dos podcasts do Cultura em Pauta.


Indústrias criativas na revista Mag!

Escondida no meio de dezenas de páginas com anúncios e editorais de moda, a última edição da revista Mag! (número 10) traz uma boa surpresa: uma entrevista com com Chris Smith, o ex-ministro da Cultura britânico, cargo que ocupou entre 1997 e 2001. Ao assumir o cargo, ele resolveu investigar mais a fundo o potencial econômico das chamadas indústrias criativas e descobriu que esse setor representava cerca de 7% do PIB. O resultado disso é que o Reino Unido até hoje é referência mundial quando o assunto é economia da cultura. Apesar de a condução da entrevista deixar um pouco a desejar, é muito bom encontrar esse tipo de conteúdo numa publicação que é essencialmente sobre moda.


Austrália aposta alto em filme com Nicole Kidman para atrair turistas e investidores

A Austrália está apostando alto no lançamento do filme “Austrália“, que chega hoje às salas de cinema do país e dos EUA e no dia 23 de janeiro ao Brasil. Dirigida pelo local Baz Luhrmann (de “Romeu e Julieta” e “Moulin Rouge”) e estrelada pelos também australianos Hugh Jackman e Nicole Kidman, a mais cara produção cinematográfica do país até hoje custou 130 milhões de dólares e vem sendo vendida como um épico romântico no estilo de “…E o Vento Levou”.

Em entrevista à Reuters, Geoff Brown, diretor-executivo da Associação de Produtores de Cinema e Televisão da Austrália, afirmou sem meias palavras que o filme “é uma ferramenta de marketing para o cinema australiano. É um filme australiano do começo ao fim, rodado no país com elenco, equipe técnica, efeitos especiais, iluminadores e até diretor australianos, e nós o estamos vendo como um cartão de visitas para o mundo”.

A Associação espera que o filme jogue os holofotes para a indústria audiovisual do país, que não teve grandes sucessos de bilheteria nos últimos tempos, e atraia os executivos de Hollywood, com a idéia de que a Austrália é um bom lugar para produzir filmes.

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Culturas brasileiras no mundo

Vale a pena ler o artigo com este título de autoria de Ana Carla Fonseca Reis e George Yúdice, publicado em outubro numa edição especial em português da revista argentina Nueva Sociedad. O texto analisa a imagem do país no exterior, relacionando-a com as inovações culturais brasileiras em torno de nossa diversidade cultural. No caldeirão de referências traçadas de modo dinâmico pelos autores, entram do site Overmundo ao polêmico filme Turistas, passando pela Flip e as novelas.


Podcast com Ana Carla Fonseca Reis: “A economia não dita o que a cultura deve fazer. A economia se põe ao dispor das políticas públicas de cultura”.

Ana Carla Fonseca ReisAna Carla Fonseca Reis virou quase sinônimo de “economia da cultura” no Brasil. Ela é especialista nesse tema que ainda provoca desconfianças de parte do setor cultural, que critica o uso da cultura como instrumento para o desenvolvimento ou tem receio de que a relação com a economia possa perverter o valor da cultura. Nessa conversa que inaugura o podcast do Cultura em Pauta, Ana explica o conceito de economia da cultura e desfaz algumas interpretações equivocadas, defendendo que a economia está a favor do desenvolvimento de políticas públicas culturais.

Ela demonstra como questões de distribuição, novas tecnologias, diversidade cultural e propriedade intelectual se relacionam com economia da cultura; aponta os desafios que esse tema ainda enfrenta no Brasil, como a falta de visão transversal da cultura e de conscientização de empresariado e governos; e comenta a indústria audiovisual nacional.

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