06
out 2009
postado por André Fonseca as 11:01 pm
Ontem à noite, durante o bate-papo com o público no primeiro encontro do Oxigênio, comentei que o setor cultural também tem um papel a desempenhar em um processo de “reeducação” das empresas patrocinadoras, no sentido de começar a mostrar que investimentos na área podem ser uma ação integrada às estratégias empresariais de comunicação e marketing, e não apenas sinônimo de benefício fiscal. Assim como começar a mostrar que a cultura merece investimentos tanto quanto projetos e ações sociais ou ligados ao meio-ambiente (duas áreas que conseguem atrair investimentos empresariais mesmo sem leis de incentivo fiscal). Na árdua luta por recursos financeiros, parece que o principal e primeiro argumento de venda nos contatos com as empresas é a Lei Rouanet. E se o projeto possibilitar 100% de abatimento no imposto de renda, o argumento é ainda mais forte.
Mas basta navegar pelos sites das diversas agências de “marketing cultural” que nasceram pós-boom da Lei Rouanet na segunda metade dos anos 90 para notar que ainda temos um longo caminho a percorrer. E não são só elas. O site da Pinacoteca, por exemplo, destaca em sua home: “Você pode ser um patrocinador de nossas exposições. Na página patrocinadores, acesse o link isenção fiscal e veja como é fácil”.
A maior parte do mercado deixou de lado a importância da cultura e o desenvolvimento de reais estratégias de captação para aprimorar o discurso do quão financeiramente vantajoso é patrocinar nossa área. É como dizer “a cultura vale a pena porque te possibilita pagar menos impostos”. É este papel que queremos atribuir à cultura? Estamos cada vez mais nos afundando na armadilha das leis de incentivo fiscal.
E agora nossa vizinha Argentina estuda criar uma lei similar, a partir do nosso modelo. Jorge Coscia, o secretário de Cultura de lá, declarou em uma entrevista: “Nossos países devem ser imaginativos em matéria de políticas culturais, têm de ter leis compensatórias. Deve haver um marco que fixe a importância das políticas Culturais, que trate a cultura como um direito humano essencial.” E esse marco seria uma lei de incentivo? Coitados…
14
ago 2009
postado por André Fonseca as 12:08 am

Reginaldo Faria desabafa no Festival de Gramado. Foto Edison Vara/PressPhoto
Trechos da coletiva de imprensa do ator Reginaldo Faria realizada no último dia 11 no Festival de Cinema de Gramado, onde ele foi homenageado com o troféu Oscarito: “Evidentemente, quero voltar a dirigir cinema, mas também encontro dificuldades”; “Não fui aprovado num edital e nossa empresa já produziu 40 filmes, somos veteranos no cinema. Quando entramos num edital, esperamos aprovação pelo histórico no cinema, mas fomos reprovados dada a exigência e análise rigorosa que eles fazem do nossos projetos, não os consideraram compatíveis ao público alvo, ao mesmo tempo que a comissão julgadora se sente no direito de fazer mudanças no elenco”; “Na história, o personagem viola correspondências e em alguns lugares não tem internet, eles desaprovaram por que o público jovem não assistiria a esse filme por que é muito ligado à internet”; “Pessoas que nunca deram seu sangue pra fazer cinema são as pessoas que decidem q tipo de filme será feito hoje”.
Defendo e acho saudável que empresas invistam em cultura enquanto estratégia de comunicação, embora seja contra o formato brasileiro de leis de incentivo fiscal, um equívoco de criação de estratégia para atrair investimentos privados para a cultura que se transformou numa bola de neve que só aumenta de tamanho. Mas há algo de muito perverso no panorama cultural de um país quando um ator com um histórico fabuloso dentro do cinema nacional não conseguer levantar recursos para rodar um filme, e não encontra outro modo de viabilizar a produção que não seja peregrinar por empresas e editais de financiamento. Assim como há algo equivocado quando patrocinadores só conseguem investir em projetos que se adequem aos (supostos) interesses do grande público. O conceito de cauda longa parece estar passando longe da maioria das empresas patrocinadoras, assim como a inovação que tanto gostam de exibir em seus discursos institucionais.
mais…
28
jul 2009
postado por André Fonseca as 12:08 am
O Edital Nacional Natura Musical 2009 contempla projetos de música brasileira em duas categorias: fomento à música e turnês individuais (uma novidade desta edição do edital).
Inscrições até 4 de setembro.
22
jul 2009
postado por André Fonseca as 2:17 am
A Caixa Econômica Federal tem três editais abertos: ocupação dos espaços da Caixa Cultural; festivais de teatro e dança; e apoio ao artesanato brasileiro. As inscrições irão até 07 de agosto.
07
mar 2009
postado por André Fonseca as 10:24 pm
A Tim comunicou oficialmente nesta semana que não irá mais investir no Prêmio Tim de Música, que foi realizado durante seis anos. O Tim Festival terá o mesmo destino, embora a notícia ainda não seja oficial. O cancelamento desses patrocínios é parte de uma política de reestruturação da empresa que vem sendo empreendida pelo novo presidente, o italiano Luca Luciani.
Segundo apurei, a possibilidade da interrupção dos investimentos no Tim Festival já vinha existindo há alguns meses, razão pela qual a realizadora do evento, a Dueto Promoções, não iniciou nenhum trabalho de pré-produção para a edição 2009. Mas a confirmação oficial da notícia neste momento deixa pouco tempo hábil para que se tente buscar um novo patrocinador (o festival acontece em outubro) para este ano.
A Tim ainda tem contrato até o final de 2009 com o Auditório Ibirapuera e por enquanto não se manifestou sobre esse patrocínio nem sobre o projeto “TIM Músicas nas Escolas”. Todas essas ações fazem parte de uma política de investimentos da empresa na área de música, numa bem pensada associação com o mote da operadora, “viver sem fronteiras”.
O festival de música criado pela Dueto Promoções tornou-se um case de marketing cultural. O evento foi proposto para a Free nos anos 80, e nasceu como Free Jazz Festival. O sucesso foi imediato. Mas a proibição das empresas fabricantes de cigarros patrocinarem projetos culturais, por conta da lei aprovada em 2001, causou uma dúvida no mercado a respeito da “adoção” do projeto por outra empresa, tão marcante ficou a associação com a Free. Mas logo veio a notícia de que o evento passaria a ser Tim Festival, numa demonstração de que bons projetos podem sobreviver à perda de patrocínio, mesmo com o nome da empresa em seu título.
07
mar 2009
postado por André Fonseca as 10:23 pm
A Sabesp lançou um novo sistema para a seleção de projetos interessados em obter apoio institucional e financeiro da empresa. Entre as novidades, estão três períodos de inscrição durante o ano. Conheça aqui a política de apoios e patrocínios da companhia.
06
jan 2009
postado por André Fonseca as 7:58 pm
O Núcleo Jovem da Editora Abril divulgou no mês passado os resultados da segunda pesquisa “Novos Consumidores”, que identifica a relação do jovem brasileiro com a publicidade. Foi estabelecido um índice NC, que demonstra como os jovens percebem a mídia, a partir dos resultados quantitativos e qualitativos da pesquisa.
Entre os formatos de publicidade com NC positivo, os eventos surgem em primeiro lugar, com 66 de índice. O que demonstra mais uma vez a razão de tantas empresas patrocinarem grandes eventos destinados a essa parcela etária do público, especialmente na área musical. Não seria mal se essas mesmas investidoras fossem além dos usuais eventos de mero entretenimento e apostassem em outros formatos e conteúdos de eventos que justificassem de fato o uso da palavra “cultural”, até porque os festivais de música vêm proliferando tanto nos grandes centros que já começa a ficar difícil perceber os diferenciais de cada um. Ou será que a juventude brasileira se interessa apenas por música e baladas?
19
dez 2008
postado por André Fonseca as 10:11 pm
O Sesi divulgou nesta semana parte dos projetos selecionados em seus editais para o próximo ano. O destaque é que em três dos seis resultados publicados, há um pequeno texto que justifica a escolha de cada um dos projetos. Um modelo que deveria ser seguido por outros editais e empresas.
12
dez 2008
postado por André Fonseca as 2:50 am
A Eletrobrás lançou seu primeiro edital para a área de cultura. O Programa Eletrobrás de Cultura será destinado ao teatro, e
investirá R$ 8,4 milhões, via Lei Rouanet, em 2009. As
inscrições podem ser feitas até 30 de dezembro.
05
nov 2008
postado por André Fonseca as 11:40 pm
Além do Programa Petrobras Cultural, outro aguardado edital de patrocínios de uma grande empresa prossegue com inscrições abertas (até o dia 30 de novembro). É Programa Oi de Patrocínios Culturais Incentivados 2009.