18
jan 2010
postado por André Fonseca as 8:37 pm
Thelma Bonavita é coréografa, bailarina e fundadora (ao lado de Cristian Duarte) da Associação DESABA. A iniciativa realiza projetos de dança contemporânea com foco na produção de conhecimento e pesquisa e venceu o APCA de melhor pesquisa em dança em 2008.

A coréografa e bailarina Thelma Bonavita. Crédito: Ramona Poeranu.
“A dança contemporânea não tem público porque as próprias condições que são dadas para esse exercício são totalmente contraproducentes”. Essa é uma das reflexões que a artista faz nesta edição do podcast, onde nós conversamos sobre o cenário geral da dança contemporânea no Brasil. Além das questões usuais de ausência de políticas culturais e de busca por financiamento, a área enfrenta dificuldades específicas, como a formação de público, a pouca articulação entre os profissionais da dança e o pouco investimento – público ou privado – em projetos de pesquisa, algo fundamental para o desenvolvimento da dança.
Entre outros temas, Thelma fala sobre a urgência de se repensar os modelos de produção para projetos que não têm uma estrutura comercial, o papel do artista na sociedade atual e os reflexos dos modelos de editais públicos de financiamento. Ela também compara o cenário da produção cultural antes e depois da Lei Rouanet e critica o alto investimento público na São Paulo Companhia de Dança: “Eu não posso administrar o dinheiro público como se eu fosse uma empresa privada”.
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18
fev 2009
postado por André Fonseca as 1:48 am
“A nossa indústria do cinema é um lixo. Faz filmes ridículos, faz novelinhas. É o padrão estético da Rede Globo”. É assim, sem papas na língua e com uma visão crítica e inquieta, que o consultor e pesquisador em políticas culturais Leonardo Brant vem marcando presença no setor cultural brasileiro há cerca de dez anos. Seja como conferencista e palestrante, seja atuando à frente da Brant Associados ou seja articulando redes em torno da discussão sobre políticas culturais, como faz no Cultura e Mercado.
A indústria audiovisual nacional foi um dos temas que pautaram nossa extensa conversa, em clima bem informal, para a quinta edição do podcast do Cultura em Pauta. Leonardo falou sobre a Ancine (”temos uma agência de cinema que trabalha em cima do paradigma de Hollywood”), o mercado audiovisual (”as empresas globais de entretenimento têm muito mais vantagens para explorar o mercado brasileiro do que o pequeno produtor”) e a questão do financiamento (”o Brasil dá um caminhão de dinheiro para as majors poderem distribuir o Homem Aranha aqui dentro”). Disse ainda que o nosso modelo de negócio para o cinema é insustentável e que o governo dá mais incentivo financeiro aos filmes que concorrem ao Oscar do que à Programadora Brasil.
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15
dez 2008
postado por André Fonseca as 7:19 am
É difícil alguém que atue na área cultural de Belo Horizonte não conhecê-la. Assim como é provável que os residentes de outros estados que pesquisem mais a fundo o tema da gestão cultural no Brasil já tenham se deparado com o nome dela em algum momento. Maria Helena Cunha é especialista em planejamento e gestão cultural e diretora da Duo Informação e Cultura. Após anos atuando como gestora, ela resolveu voltar à academia e desenvolver uma pesquisa de mestrado, “Gestão Cultural: profissão em formação”, defendida em 2005. O material virou livro, lançado este ano.
Na pesquisa, Maria Helena se debruçou sobre a questão da constituição de um campo de trabalho para a área de gestão cultural em Belo Horizonte (mas o cenário que desenha com certeza será identificado por outras cidades). Investigou ainda o processo de formação profissional desses gestores.
Nesta quarta edição do podcast do Cultura em Pauta – gravada durante o I Seminário Internacional de Gestão Cultural (cujos posts relacionados podem ser pesquisados pela sistema de busca ao lado) – ela fala sobre as razões de a produção ter recebido mais atenção do que a gestão na área cultural brasileira, revela o seu próprio caminho de formação e comenta a pouca associação entre cultura e educação no país: “Separar ministérios não significa separar um processo de trabalho conjunto”.
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31
out 2008
postado por André Fonseca as 7:32 am
“A cobertura de cultura tá muito chata”. A constatação da jornalista Ana Paula Sousa provavelmente também já foi feita por quem acompanha de perto os cadernos e seções de cultura de jornais e revistas. Por que esse marasmo no jornalismo cultural? Quais as possíveis razões para a mídia falar tão pouco de cultura enquanto política? Quais os desafios que o jornalismo enfrenta no cenário atual de intensas mudanças tecnológicas, onde a informação parece estar em todos os lugares?
Esses foram alguns dos temas sobre os quais eu conversei com Ana Paula nesta terceira edição do podcast. Vencedora do Prêmio Comunique-se 2007 na categoria “jornalista de cultura”, ela trabalhou de 2001 até este ano na revista CartaCapital, onde era editora de cultura. A publicação é umas das raras no Brasil preocupada com a cobertura de políticas culturais, assim como Ana é uma das raras jornalistas do país capazes de escrever com propriedade (e conhecimento) sobre o tema.
Comandando agora a criação de uma nova revista de cultura que será lançada em 2009 e ainda colaborando com a CartaCapital, ela me recebeu para este bate-papo no qual, entre diversas falas provocativas, comenta algumas características (e a acomodação) da grande maioria dos jornalistas culturais: “O jornalista de cultura sofre do mesmo problema que o artista que se fecha e não vê o mundo”. Ela afirma que a consciência da transversalidade da cultura também é ausente no seu meio de trabalho e brinca sobre como seu conhecimento a respeito das leis de incentivo incrementa as conversas em rodadas de chope.
Uma amostra do jornalismo cultural de Ana Paula pode ser lida aqui.
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20
out 2008
postado por André Fonseca as 11:55 pm
Ana Carla Fonseca Reis virou quase sinônimo de “economia da cultura” no Brasil. Ela é especialista nesse tema que ainda provoca desconfianças de parte do setor cultural, que critica o uso da cultura como instrumento para o desenvolvimento ou tem receio de que a relação com a economia possa perverter o valor da cultura. Nessa conversa que inaugura o podcast do Cultura em Pauta, Ana explica o conceito de economia da cultura e desfaz algumas interpretações equivocadas, defendendo que a economia está a favor do desenvolvimento de políticas públicas culturais.
Ela demonstra como questões de distribuição, novas tecnologias, diversidade cultural e propriedade intelectual se relacionam com economia da cultura; aponta os desafios que esse tema ainda enfrenta no Brasil, como a falta de visão transversal da cultura e de conscientização de empresariado e governos; e comenta a indústria audiovisual nacional.
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07
out 2008
postado por André Fonseca as 12:26 am
O podcast do Cultura em Pauta nasce com o objetivo de ampliar o acesso ao debate sobre temas relevantes para o setor cultural, que ainda encontram pouco espaço de circulação na mídia. Esses temas serão abordados a partir da visão e opinião de especialistas e profissionais da cultura em diversas áreas, com quem conversarei individualmente a cada programa. Desta forma, pretendo também ampliar o acesso a essas pessoas, com quem normalmente só nos deparamos em seminários e eventos ou pela leitura de artigos e estudos, que muitas vezes circulam entre um público pequeno. Espero que com o passar do tempo, esses podcasts funcionem como uma espécie de biblioteca virtual de conteúdo sobre o setor cultural, e que possam servir como fonte de pesquisa e referências.
A idéia é que esses bate-papos ocorram sem a pressão do relógio, para que os convidados possam desenvolver tranqüilamente suas idéias e a abordagem dos temas não fique na superficialidade. Cada programa deverá ter cerca de uma hora. O leitor poderá ouvi-los online, mas haverá opção para download (um bom meio para ajudar a passar o tempo no trânsito?) e também para iTunes. Como estou localizado em São Paulo, infelizmente os convidados serão essencialmente daqui, mas creio que a bagagem de experiência e conhecimento que eles apresentam possam contribuir para atenuar essa limitação.
A primeira edição do programa já está no ar e traz como convidada Simone Zárate, secretária de Cultura, Esporte e Lazer de Santo André. A segunda edição entra no ar na próxima semana.
28
set 2008
postado por André Fonseca as 7:34 pm
O podcast do Cultura em Pauta estréia com um bate-papo com Simone Zárate, secretária de Cultura, Esporte e Lazer de Santo André (SP), que aceitou a tarefa de assumir o cargo a apenas um ano do término do mandato. Ela expõe abertamente as contradições de um município que tem um número considerável de equipamentos culturais, além de lei de incentivo, Fundo de Cultura e Conselho Municipal. Porém, segundo a própria Simone, não tem políticas culturais claras.

Numa longa conversa gravada em junho, ela revela o dia-a-dia da pasta que coordena, mostra-se inquieta com a definição de cultura, expõe a falta de ações planejadas no setor, comenta sobre os desafios de se implementar um Conselho Municipal de Cultura e critica o uso da verba de Fundos de Cultura pelas secretarias. Numa análise lúcida e crítica, Simone também fala sobre a imagem de pouca seriedade que a cultura tem em outras áreas do governo, mas assume que a falta de gestão e planejamento no setor cultural contribui para essa visão.
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