A ARTE DE AMAR

O céu, uma tela gris,

Onde eu contemplo o Olho do Tempo

Como se fosse um giz

Transformando no momento

Stratus em cumulonimbus.

Dali surgem figuras bizarras, oníricas

Miró, Chirico, Gala,

Que a, Persistência da Memória e o Sono deixaram-me confuso,

Mas juro que vi Dali

O Grande Masturbador e o Relógio Fundido.

No momento mágico, indefinido.

Aparece no meu caminho o Cubismo e seu realismo

Olho para o céu,

Nos últimos goles de uma taça de vinho

E pego meu pincel.

Esfera, cilindro e cone.

Vindo não sei de onde

O minimalismo de uma mulher

Pode ser sombra e luz: gelo e fogo

Impressionismo meu?

A figura não tem contorno nítido.

A imagem não tem visual definido.

Expressionismo meu?

Quero polinizar tua flor, quero ser teu beija-flor.

As cores fortes do foguismo

─ O que estás mirando

É mesmo uma flor muito especial, ela sensual

─ O desejo que se vê em mim é amoral.

É o fruto da criação; Abapuru.

Quero navegar seus gemidos,

Quero me integrar aos seus mexidos,

Quero ser o Munch do seu grito,

Quero a dança em Bougival,

Eu Manet me declaro. Ela aceita

E mostramos toda nossa arte

Como em um Nu de Cezzane

Com o sentimento de Modigliani

─ Ela: quero seu Caravaggio, seu Picasso.

─ A musa do meu tesão, o gosto com que pecava

O gosto com que pegava, o meu pincel

Fez do rosto uma tela e como uma aquarela

Pintou o meu prazer; o Conde Orgaz.

Khalo, beijo seu Boccaccio.

Eu quero Botticelli, minha musa.

Quero Botero, minha diva.

Quero Da Vinci, natureza morta.

Quero o renascimento todo dia,

Para ter a alegria, de pintar de novo.