Nascida aos 09 de dezembro de 1913 em Natal, uma das filhas do então deputado e líder católico Alberto Roselli, político, intelectual, jornalista, diretor do jornal “Diário de Natal”, da Diocese desta Capital.

A adolescência e a mocidade de Anadil presenciaram o desempenho do seu genitor pelas causas sociais e políticas, num mundo que se dividia, na época, em ideologias antagônicas.

Mas ela não seguiria o roteiro vocacional do genitor, o advogado, o jornalista, líder católico e político militante.

Afastada dessas disputas sociais, isolou-se Anadil, encontrando no silêncio do estudo o refúgio protetor de uma alma ainda em flor e a satisfação pessoal. E essa escolha redundaria em um sucesso continuado e definitivo, dedicando-se à investigação da ciência médica.

Anadil Roselli, pela tenacidade e amor projetou-se, anos depois, na área da medicina, alçando-se a uma posição privilegiada e invejável no campo da Patologia. A sua competência na investigação científica lembra mulheres celebridades, que na antiguidade, na idade do meio e na modernidade impressionaram os doutos dessas fases históricas, pela inteligência e sabedoria.

O nome dessa natalense ilustre recebeu o reconhecimento e aplauso da sua classe, consagração na especialidade abraçada.

O desempenho do seu trabalho em confinados laboratórios ficou  reconhecido internacionalmente. É uma das raras médicas brasileiras sócias da ”The International Academy of Pathology”, dos Estados Unidos da América. Pertenceu também a diversos institutos nacionais, dentre os quais a Sociedade Brasileira de Patologia e da Sociedade Brasileira de Gastroenterologia.

Anadil Roselli é sócia da Academia Nacional de Medicina, instituição fundada em 1829. Tomou posse como membro titular, aos 12 de setembro de 1995, em Sessão solene, na sua sede própria no Rio de Janeiro.

Saliente-se que Anadil  Vieira Roselli foi a terceira médica a ser recebida na Academia Nacional de Medicina, fundada há quase dois séculos!

Encerrando a cerimônia de posse da nova acadêmica, assim se expressou o presidente da referida academia, professor e acadêmico Rubem David Azulay, num trecho de seu discurso.

 

“… Vossa excelência entra nesta academia pelos seus méritos. Sabemos todos quão difícil é isso acontecer. Muitos o desejam, porém poucos o conseguem, e se vossa excelência o conseguiu é porque realmente tem os méritos necessários para o cargo que conquistou. Haja vista o seu trabalho no exterior, o seu trabalho entre nós, no Brasil. (…) A academia de medicina é uma academia que vem do Império e ela se mantém até hoje porque seus membros têm sido escolhidos de uma maneira a mais elevada possível e por isso, vossa excelência, ao ingressar nela, vem completar esta plêiade de intelectuais que aqui labora”.

Em páginas adiante transcrevemos na íntegra o discurso de posse de Anadil Vieira Roselli, na conceituada Academia Nacional de Medicina.

Tomou posse na Cadeira n° 96 da Seção de Ciências Aplicadas à Medicina e Farmácia, ocupada, antes, pelo acadêmico Onofre Ferreira de Castro, cadeira cujo patrono é Rodolpho Albino Dias da Silva.

Longo do seu currículum vitae: Deu inúmeros cursos, participou de muitos congressos, assembléias e jornadas científicas no Brasil e  exterior, participou das comissões examinadoras, colaborou em monografias, teses e livros, recebendo prêmios com trabalhos publicados no Brasil e no exterior.

Sua participação em sociedades científicas. Sócia efetiva da Sociedade Brasileira de Patologistas, 1957, membro do American Society of Patologista, 1960; Membro titular colaborador, Patologia do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, 1975; Sócio benfeitor, Policlínica Geral do Rio de Janeiro, 1990.

Em Títulos concursos e provas: Títulos de Internato de Anatomia Patológica, Faculdade Nacional de Medicina, 1940/41; Laboratorista por concurso de provas (1º lugar) – Anatomia e Fisiologia Patológicas, Faculdade Nacional de Medicina, 1941; Patologista, Hospital dos Servidores do Estado, de 1948 a 1970; Patologista, Hospital de Ipanema (INAMPS), 1970 a 1985; Professora titular de Anatomia Patológica, faculdade de medicina da Fundação técnico educacional “Souza Marques”, 1972 – 1980; Presidente eleito da comissão de anatomia patológica, Centro de Estudos do Hospital do Ipanema – INPS, 1970 a 1972: Professor Adjunto de Urologia. Escola Médica de Pós-graduação, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – Centro de Ciências Biológicas e de Medicina, 1982.

Cargos de Chefia – Chefe do Laboratório de Anatomia Patológica, Hospital dos Servidores do Estado, 1949 a 1958: Titular de Anatomia Patológica, Faculdade de Medicina da Fundação Técnico Educacional Souza Marques, 1971 a 1980.

Prêmios e homenagens: 2º prêmio do Melhor trabalho publicado The Association of Symptomatic Hiatus Hernia and pyloric Pathology, 1970, prêmio Benjamin Baptista – Gastrite Alcalina pós-piloroplastia – Pesquisa Experimental, 1970; Faculdade Técnico Educacional “Souza Marques”, das Turmas de 1976 a 1978; 1980, 1982 e 1983.

Atividades Editoriais – Membro do Conselho da Revista Colégio Brasileiro de Cirurgiões, desde 1986.

Na história da ciência houve mulheres extraordinárias: Marie Curie foi uma delas. Descobriu os elementos químicos: O polônio e o rádio, desmembrados de pechblenda, mineral de urânio. Esta cientista polonesa foi prêmio Nobel de 1903, de Física e prêmio Nobel de 1911, em Química. ”Sábio nenhum, homem ou mulher, fora considerado, até então, digno de receber essa recompensa pela segunda vez”.

Nesse exemplo e outros foi que a natalense se espelhou para alcançar o alto valor da sua obra científica, no campo da patologia.

A conceituada esculápia Anadil Vieira Roselli, mercê de sua competência, enobreceu a ciência médica e enalteceu o Rio Grande do Norte por ter uma filha tão ilustre, gozando das honrarias tributadas somente à celebridades.