Falar sobre Lajes, terra onde nascemos, nos dá, de certa forma, muito prazer, e, também, muita emoção. Foram 19 (dezenove) anos indo à escola e vendo, pelo caminho, o trem de passageiros chegar à estação ferroviária, trazendo pessoas conhecidas vindas de Natal, a capital do Estado do Rio Grande do Norte. De acordo com a historiografia da cidade, Lajes, em 1825, era uma fazenda de propriedade do senhor Francisco Pedro de Gomes Melo. Ao redor da Fazenda, pessoas de outros lugares foram se agrupando ao seu redor, em busca de meios para a própria sobrevivência. Podemos até afirmar que já eram os primeiros sinais de povoamento do então povoado. Lajes ganhou importância pelo trabalho da sua gente, e alçou a condição de município no ano de 1923, de acordo com a Lei Estadual de 03 de dezembro. Sempre foi uma cidade quente, com o solo castigado pela seca. Mesmo assim, várias pessoas foram chegando, quem sabe, na intenção de fixar as suas raízes. Eram pessoas agradáveis, acolhedoras e cheias de esperança. O primeiro nome da cidade ou da Fazenda foi Lajes. Depois, mudou para Itaretama, e, finalmente, passou a se chamar Lajes. A grafia, com J, é um dos elementos que a diferenciam de Lages, cidade de Santa Catarina, escrita com G.

Num vídeo feito sobre Lajes, que tivemos o prazer de dirigir, em 2009, cuja denominação é a mesma do título do presente artigo, há depoimentos de pessoas, filhas da terra, ou moradoras de lá, há muitos anos. Seu Antônio Cruz, dona Maria Correia, Cícero Lisboa, Professora Conceição Martins e o jornalista Mucio Procópio falam com muita propriedade sobre a cidade. O Jornalista Mucio destacou um aspecto importante na história da cidade. No ano de 1914, aproximadamente, chegou a Estrada de Ferro Sampaio e Correia, um dos fatores decisivos para o crescimento da pequenina cidade. Entrevistando em outra ocasião, alguns moradores nos falaram que, naquela época, os líderes políticos de Jardim de Angicos, próxima à Lajes, não aceitaram a passagem do trem, por que iriam perder parte das terras da referida cidade. Esse entendimento tinha à frente, o coronel Manuel Teixeira, pai de Alzira Soriano, futura prefeita de Lajes. De acordo com esses depoimentos, todos afirmaram, categoricamente, que a cidade de Jardim decaiu. Todavia, ocorreu o contrario com Lajes, que cresceu não só economicamente, como demograficamente. O que pode ser atribuído à dinâmica que o trem imprimiu ao lugar, com novas pessoas chegando e procurando formas diferentes de subsistência. Quantas recordações nos chegam à mente. Quando olhamos para trás e vemos os trens de carga trazendo água para abastecer a cidade e frutas vindas da cidade de Ceará- Mirim. Isso nos faz lembrar o famoso Casimiro de Abreu: “Oh! Que saudades que tenho da aurora da minha vida

Da minha infância querida,
Que os anos não trazem mais!” Esse trecho da poesia mexe com as nossas emoções, pois todos nós trazemos guardadas,” a sete chaves”, reminiscências da nossa infância. Saudades à parte, é importante esclarecer que Lajes limita -se com as cidades de Pedra Preta, Caiçara do Rio dos Ventos, Angicos, Fernando Pedrosa, Cerro Cora e São Tomé. Como toda cidade nordestina interiorana, o índice de pobreza de Lajes ainda a é muito alto. Observamos um expressivo nível de pobreza e desigualdade social. Ainda existem os chamados bolsões de pobreza, sobretudo, quando se trata daqueles que vivem da agricultura numa terra em que a falta de chuvas é frequente, tornando -a improdutiva. Esse panorama muda, quando a chuva chega e as plantações brotam, deixando o sertanejo feliz.