MILONGA

Sou pássaro
das noites vazias,
cheias de lua triste.

Meu canto é a voz do vento
soprando milongas
que se perdem no tempo.

Se me escutas na brisa,
sou perfume da madrugada lenta,
que se arrasta no pulsar
das horas mortas
feito canção distante.

Se não me ouves,

quem sabe me pressentes?

Eco de saudade, talvez eu seja.

Ou apenas silêncio.