Em entrevista ao portal Terra, o filósofo Luiz Felipe Pondé fez uma análise do atual cenário político brasileiro, sobretudo no que se refere à disputa presidencial e a possibilidade de polarização entre Lula e Jair Bolsonaro. Segundo o pensador, que também é colunista do jornal Folha de São Paulo, a manutenção de um ou o retorno do outro pode ser considerado como uma “catástrofe” para o país.

 

Apesar de sua reiterada posição conservadora, Pondé mantém uma postura crítica em relação ao atual governo federal, capitaneado por Jair Bolsonaro. Como motivo para a crise ética e sociopolítica instaurada no país, o professor estabelece uma consonância com uma suposta uma negligência de parte da população aos assuntos da República.

 

“No fundo, a maior parte das pessoas não está nem aí para a corrupção. Veja o caso do [ex-presidente] Lula: foi condenado, foi ‘descondenado’, está tudo lindo, e agora vai em frente porque pode ser uma opção terrível contra uma opção também terrível que é a gangue do [atual presidente Jair] Bolsonaro”, afirma o filósofo.

 

Ainda no que concerne ao duelo particular entre Lula e Bolsonaro, Pondé aponta que um “alimenta” o outro, assim como uma eventual ausência do atual chefe do executivo federal no pleito seria prejudicial aos planos petistas de retorno ao poder. “Não acho que isso [o impeachment] vá acontecer. Mas, se me dessem a escolha, eu votaria a favor. Inclusive, acho que nem para o Lula é bom que aconteça. Para o Lula, é melhor que Bolsonaro sangre até morrer. Porque, sem Bolsonaro, o Lula talvez perca um pouco do seu encanto para outro candidato que não tenha o peso do Bolsonaro e não tenha o peso do Lula, que seguramente vai ser trazido à tona na campanha”

 

Por fim, como forma de escapar ao binômio “bolsolulista”, Pondé reitera a necessidade de uma alternativa a essas candidaturas, isto é, o aparecimento de uma “terceira via” consistente. “A esperança seria que aparecesse outro candidato, que não seja Lula nem Bolsonaro, com chances de entrar na disputa pelo Planalto. Agora, se a gente ficar preso nesse cenário, eu espero que [o vencedor] seja qualquer outro menos o Bolsonaro, mesmo que seja o Lula”, concluiu.

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