Com os fins da Eurocopa e da Copa América, já é possível apontar as principais seleções dos dois continentes aspirantes a levantar o caneco no próximo Mundial, que acontecerá em 2022 no Catar. Do lado de lá do Oceano, França, Inglaterra e Itália são as mais fortes candidatas a seguir até o último jogo do mata-mata. Já do lado de cá do Atlântico, Brasil e Argentina aparecem como as únicas seleções que têm alguma chance de fazer frente aos conjuntos europeus.

Ainda que tenha caído nas oitavas de final da Euro, a equipe francesa é atualmente a melhor de todas. Ela tem um trio de atacantes que joga de paletó. Mbappé, Griezmann e Benzema desfiam o fino da bola. Nenhuma outra seleção dispõe de tantos jogadores com esse poder de tiro. A França também conta com meio-campistas de escol, do naipe de Pogba e de Kanté, este último considerado pela crítica esportiva o melhor jogador da última Liga dos Campeões.

A Itália e a Inglaterra vêm logo em seguida. Com bons jogadores em quase todas as posições, mas sem grandes craques, elas levam vantagem sobre as outras concorrentes no quesito organização. Esses dois times também contam com centroavantes de bigode. No caso da Itália, Chiesa sabe para que lado corre o vento do gol. E na Inglaterra, Harry Kane também é especialista no métier de colocar a bola na rede. Alemanha, Portugal, Espanha e Bélgica compõem a última leva dos melhores selecionados do Velho Mundo, e podem subir alguns degraus no nível de favoritismo, até o pontapé inicial.

O Brasil vem em seguida, atrás de todas as principais equipes europeias, com o seu time burocrático. A seleção tem uma zaga excelente, mas laterais de baixo quilate, um meio de campo com a capacidade criadora de um chefe de obra e atacantes que têm medo de decidir. O seu único diferencial é mesmo Neymar. Ele pode contribuir para subir o patamar do time, desde que uma jovem promessa avance na qualidade do seu jogo. Me refiro a Pedro, o centroavante do Flamengo que se encontra em fase de desenvolvimento e apresenta lampejos de craque. Encontrando maior regularidade, quem sabe ele possa vir a fazer companhia a Neymar, que precisa de um ou dois sócios que dividam a tarefa de fazer gols.

Fosse amanhã a Copa do Mundo, o Brasil correria sérios riscos de abandonar o Catar precocemente, não indo além das oitavas de final. O que também seria o caso da Argentina, que se agarra com todas as forças à genialidade de Messi, um dos melhores jogadores de todos os tempos, mas que rema ao lado de vários pés de pato.
O futebol não é uma ciência, mas tem lá suas previsibilidades. No próximo ano, quando a bola rolar para valer, as coisas não serão muito diferentes. O amplo domínio das seleções europeias é hoje uma triste realidade.