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Sobre a poesia de Carlos Lucas (principalmente, sobre a do último livro que o poeta publicou, e que foi “Percepções, Imagens e Ações”, composto em forma que destaca a verticalidade longitudinal) já escreveu muito bem João Gualberto: “A percepção do humano e imagística em Carlos Lucas, da mesma forma que as imagens  são perceptivas” (V. “Caderno de Domingo”, suplemento do jornal “Tribuna do Norte”, 26/04/1987).

Na verdade, Carlos Lucas não usa imagens para apenas perceber; ele percebe iluminando o humano com uma conceitualística, redizendo o já dito (isto é, sem recriar o instrumento palavra), mas com um novo nível energético, onde se deduz que o Conhecimento que sopra pelos Astros, pode ser visto imagisticamente mas não ensinado, pois está lá, Pré-Conhecimento e Cimento do Pré, do Antes como o Todo sempre Existente.

Esta conceitualística multi-cósmica leva aos textos/prosa deste “Perspectiva Luz da Vida”, uma fábula caleidoscópica, policrômica, estruturando um Uno, de contos-capitulozinhos armando um mini-romance-anti-romance, pois se a forma literária romance nasceu como decorrência da superestrutura da burguesia, este aqui é um anti-romance, onde os sopros dos seres cármicos falam células de luz e imaginações do espírito. O rei e o conde aqui não são estas figuras de poder monárquico atrabiliário que os rios de sangue da História trouxeram.

São personagens simbólicos, idealizados como atores de uma cena mágica, onde o resultado no arquétipo narrativo é a iluminação, a paz, a lenda interior do momento criativo. São pequenos contos, de podemos assim denominar estes flashes, estas células descritivo-narrativas.

Neste país das maravilhas, após atravessarmos o portal dourado, podemos encontrar dentre outros habitantes a garota do fim da rua, de belos olhos da cor da emoção. Mas não somente ela tem um carisma profundo, Carlos Lucas.

A criança do sexo feminino, por exemplo, é doce e terna, e seu carisma maior é de ser sedutora disfarçadamente, sem a agressividade sexual da fêmea adulta. Mas tanto na Garota, como no Rei, no Conde e na Borboleta da Paz fulgura tua iluminação. Carlos Lucas, sensibilidade de fazer as Palavras comuns, reditas, rumorejarem na referenciação de uma trans/forma/ção, uma forma mudada em Ação pensamental, imaginante da imaginável totalidade, LUZ compreendida, CORES intelectuais mudadas em VIDA palpável.

Anchieta Fernandes

(33 anos de Poema/Processo)