O tema que abordaremos hoje muito nos alegra. E até nos dá vontade de voltar no tempo para falar sobre cultura para os alunos. Sempre os surpreendia quando falava de um tema tão instigante e inovador. Muitos deles ainda achavam que a cultura estava ligada ao saber e ao conhecimento.

As pessoas ainda costumam se referir ao termo cultura como sinônimo de educação. E não é por aí. Elas podem até não ter uma educação formal, mas têm cultura, cujo sentido está ligado aos modos de vida de um povo e a seus costumes.

Os índios e os negros africanos eram iletrados, mas possuíam uma cultura muito rica e diversificada. Até hoje, trazemos na nossa carga cultural componentes herdados dessas duas etnias, tão importantes para a formação do povo brasileiro.

Quando falamos sobre cultura, temos que considerar dois elementos importantes, sendo a primeira a cultura material, a que podemos transformar. Por exemplo: uma árvore faz parte da natureza, mas, quando aproveitamos algo que a compõe, imprimindo-lhe uma forma diferente, como uma mesa, estamos diante da cultura material. Já a cultura imaterial é a subjetiva, a que podemos não ver, mas existe. São os nossos costumes, as normas sociais e a religiosidade, que não possuem uma criação física e material.

Como podemos observar, cultura é uma palavra bastante desgastada. Costumamos dizer que fulano não tem cultura, e, no entanto, todos nós temos uma cultura, seja letrada ou iletrada. Um outro aspecto importante diz respeito ao cotidiano das pessoas. No dia a dia, costumamos falar “tal pai, tal filho”, ou, “filho de gatinho, gatinho é”. Essa comparação, para a Antropologia, não existe. O pai pode ser um alcoólatra, e o filho, não. Vai depender, entre outros fatores, da estimulação que esse filho possa vir a receber. Nesse sentido, a cultura tem mais peso que a genética dos indivíduos.

Sendo um termo amplo, que deve ser estudado sob diferentes ângulos, acrescentamos um tipo de cultura, que são as manifestações culturais. Destacamos, neste texto, aquelas que mais são enfatizadas no Nordeste brasileiro, como as festas juninas, reisado, poesia popular, frevo e artesanato. Sem sombra de dúvida, podemos afirmar ser essa uma cultura bastante rica, diversificada e com características próprias, influenciada pelo que recebeu dos índios, dos colonizadores portugueses e dos negros africanos.

Quando falamos sobre cultura, duas palavras são fundamentais para compreendermos as diferenças nos costumes, nas atitudes e nas práticas cotidianas: Relativismo Cultural e Etnocentrismo. A primeira se opõe à segunda. Quando observamos, através dos meios de comunicação, as diferenças de um povo, estado, ou das pessoas individual ou coletivamente, e respeitamos essas diferenças, estamos relativizando, isto é, respeitando as peculiaridades de cada cultura. O contrário seria uma postura etnocêntrica. Infelizmente, as nossas atitudes para com o diferente ainda são preconceituosas, homofóbicas, numa total falta de respeito às diferenças individuais ou de um grupo. A cultura de um determinado grupo é muito forte e tem características específicas. Se um casal teve dois filhos gêmeos, e um fica morando com os pais biológicos, no Brasil, enquanto o outro vai morar no Estados Unidos, ao retornar ao Brasil, depois de 20 (vinte) anos, esse indivíduo adquiriu outros hábitos, outra fisionomia, assemelhando-se aos pais adotivos.

A cultura é plasmada, adquirida e, muitas vezes, nem percebemos. Os meios de comunicação, rádio, televisão, redes sociais, todos que constituem a cultura de massa são diretamente responsáveis por essas mudanças no comportamento dos indivíduos. Podemos até afirmar que essa comunicação pode ser uma faca de dois gumes, tanto beneficia para o bem, como conduz ao mal.

Em geral, os conteúdos veiculados não levam em conta as limitações dos indivíduos. Antes, só interessa a venda de produtos, de interesse do capitalismo, que só visa ao lucro e à acumulação de riquezas de determinados grupos sociais.

Com as colocações feitas neste artigo queremos ressaltar, ao final, a importância e a necessidade de observarmos o valor da cultura para a compreensão de outros costumes diferentes dos nossos. Compreender as diferenças do mundo como um todo é imprescindível à manutenção da paz e da harmonia no planeta Terra, em geral, e entre as pessoas, em particular. No Brasil, a diversidade cultural é muito grande. O sul do país recebeu influências dos italianos e alemães, principalmente. No Nordeste, vários foram os povos que enriqueceram a nossa cultura, o que nos possibilitou um outro olhar para a vida, para o mundo e para nós mesmos.

Essa é a cultura que quis apresentar a você, leitor.