A tropa de choque governista já está constrangida diante do silêncio de Jair Bolsonaro em relação às declarações dos irmãos Miranda sobre a suposta compra superfaturada da vacina indiana Covaxin. Conforme relatos do deputado governista e do servidor público da pasta da saúde, o contrato firmado para a compra dos imunizantes apresentaram irregularidades.

Sobre as infrações no processo de aquisição da vacina, o deputado Luís Miranda (DEM-DF) e Luís Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde afirmaram, em depoimento dado à CPI no último mês de junho, que alertaram o presidente, mas que o chefe do executivo federal respondeu que este caso era de responsabilidade do deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara. Bolsonaro, no entanto, contrariou a fala dos irmãos, relatando, antes da ida deles à CPI, que não havia sido avisado sobre as suspeitas.

 

Os membros da Comissão, na representação de sua cúpula, formada pelo presidente Omar Aziz (PSD-MA), o vice Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e o relator Renan Calheiros (MDB-AL), enviaram uma carta à Presidência da República, cobrando uma resposta definitiva sobre as infrações relatadas pelos irmãos Miranda. Porém, em resposta ao pedido, Jair Bolsonaro afirmou vulgarmente: “caguei para a CPI”.

 

A postura de Jair Bolsonaro no que concerne às suspeitas de irregularidades contratuais na compra da vacina indiana está gerando desconforto até mesmo entre seus “soldados” leais do Congresso e da comissão, que exigem, nos bastidores, uma posição firme do presidente. Um deles, que preferiu não citar o nome, salientou: “fica difícil falar sobre esse tema quando não há um norte seguro por parte do planalto”.

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