Como percebemos ontem, aquele rompante de dignidade dos jogadores da seleção brasileira de futebol na semana passada no sentido de não disputarem a Copa América foi só um ´engana trouxa`. Com uma nota de indignação que mais parece aquelas notas de repúdio que Câmara e Senado tanto emitiam a cada vez que Bolsonaro ameaçava um golpe militar ou fechar o STF, os ilustres jogadores concordaram em disputar o torneio.

Torneio este que reunirá dez seleções com atletas que jogam em trinta países diferentes e mais comissões técnicas para disputar partidas em um país que sofre com vacinação lenta contra Covid, óbitos e casos ainda em números altos e sistema de saúde sempre á beira do caos ou já colapsado em alguns estados.

Teremos quem sabe a conquista da seleção brasileira, favorita, afinal, do torneio ao mesmo tempo que chegaremos ao meio milhão de mortos por Covid, o que para o desgoverno Bolsonaro, assassino e genocida, não deixa de ser também uma conquista.

Certamente, em caso de vitória do Brasil, teremos o despresidente no gramado se abraçando com a taça e com os jogadores, capitalizando a conquista futebolística, bem ao gosto dos ditadores. Uma boa cortina de fumaça para quem enfrenta desgaste diário da CPI da Covid, onde fica mais claro que a não compra de vacinas e negacionismo eram, mais que descaso e ignorância, uma política de governo.

Eu que adoro futebol, principalmente torneios internacionais, não pretendo assistir aos jogos, principalmente os do Brasil. Não por protesto, mas por falta de gosto mesmo. Quem sabe uma eliminação humilhante do Brasil aos moldes do 7×1 não cuide de fazer justiça poética aos jogadores covardes e ao despresidente. Quem sabe a Argentina de Messi vencendo, ou uma zebra chegando ao título ajudem a impedir o uso político do futebol brasileiro, como a Ditadura Militar tanto fez.

Mas em caso de vitória do Brasil, que o capitão Casemiro, o “menino” Neymar e todos os demais se refastelem junto com o capitão expulso do Exército levantando o troféu em cima dos 500 mil cadáveres. Entrarão para a história como vencedores de um importante torneio internacional, mas também como os covardes que não perceberam a tragédia que o país onde nasceram (por isto que vivem na Espanha, Itália, Inglaterra) se encontra.

 

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