Mãe, você é cringe.
O que importa isso?
Nada.
Nada mesmo.
“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.”
Como assim? Você cantando “Pais e Filhos” de Legião Urbana?
Essa música é legal.
Isso. Muito massa mesmo.
Pelo amor de Deus, Mãe!
“Massa” tá ultrapassado.
Posso pegar sua sapatilha cor de rosa?
Mesmo, que você quer ir com ela?
Claro. E também a bolsa de couro. Aquela do vovô.
Mãe, já desistiu da ideia de irmos à Disney, né?
Não mesmo. Já fiz uma listinha do que vou comprar: quadro da Bela e a Fera,
Orelhinha da Minnie e o Globo de Cristal do Castelo da Cinderela.
Isso é muito cafona mesmo.
Nem ligo para isso. E vou comprar uma Orelhinha da Minnie para você também.
Agora eu vou morrer de vergonha.
Que nada. Bora cantar: “Você me diz que seus pais não te entendem –
Mas você não entende seus pais.”
Eu não vou de jeito nenhum. Só sendo millennials.
O que? Você é mesmo engraçada.
E o som está muito alto. E já ouviu essa música o dia inteiro.
Dá para virar o disco.
Virar o disco, Mãe!? Só mais um pouquinho.
Mãe, a minha calça jeans está suja. Vou com a sua. Aquela que a senhora usava quando estava grávida de mim.
A rasgada nos joelhos?
Essa mesma.
Ei, mocinha! Eu sou cringer?
É sim, Mãe!
Leia aqui!
Tô sem tempo para ler.
O Túlio tá me esperando para gente baixar umas músicas dos anos noventa:
I Will Always Love You – Whitney Houston
Sozinho – Caetano Veloso
Immortality – Céline Dion
Garota Nacional – Skank
Take A Bow – Madona
Então você vai me ouvir: “Cringer é um verbo da língua inglesa que significa “envergonhar”. No Brasil os jovens usam o termo para se referir a alguma coisa como “vergonha alheia” ou “cafona”, define o podcaster.”
Dê uma olhadinha em você, Jovita!
É, Mãe! Eu sou mesmo CRINGER.