Desde que se candidatou pela primeira vez à presidência da república, em 1998, Ciro Gomes convive com as dúvidas do universo político e da opinião pública sobre a sua linha ideológica, se é de direita ou esquerda. O fato de ter mudado de legenda em diversas oportunidades ao longo de sua trajetória suscita os questionamentos em torno de sua compreensão sobre o desenvolvimento do país.
Em resposta a essas perguntas, Ciro se diz um progressista, situado no campo da centro-esquerda, na medida em que se coloca como um ferrenho opositor da forma como a sociedade brasileira se constitui, além de reiterar que esses termos que teoricamente indicam ideologias são ultrapassados, estabelecendo uma visão maniqueísta para o político. Em relação à sua conduta, ele ratifica: “ sou progressista porque quero modernizar o país e não considero justo como organizamos nossa vida nacional. E também porque não concordo que brasileiros comuns tenham que lutar tanto para receber tão pouco de volta”.

Por outro lado, um dos seus prováveis rivais na corrida presidencial de 2022, o ex-presidente Lula, adota uma postura de reconciliação com os partidos de centro-direita, ao articular apoios para o seu objetivo de voltar ao comando da nação. Nesse sentido, em 2002, logo quando foi empossado, declarou que todos teriam espaço no seu governo, além de queixar-se no momento que optava pela linha mais radical de seu partido. “Toda vez que decido pela esquerda, eu me ferro”, afirmou à época.

Ademais, Lula, entre 2003 e 2011, período em que esteve no poder, construiu uma relação profícua com os grandes empresários, fomentada, sobretudo, pela presença de José Alencar, seu vice. A aposta para a corrida presidencial do ano que vem, portanto, além da constituição de parcerias com o centro, centrão e a direita, passa invariavelmente pela ajuda dos empresários.

Em consonância a essa premissa, o ex-ministro Walfrido Soares Guia, aliado e articulista do petista no mundo empresarial, afirma que, na verdade, o ex-presidente é um homem de centro e que, para ser eleito, Lula precisa refazer “pontes” com o grande capital. Em relação a essa parceria, ele afirma: “os empresários não precisam ter medo. O Lula é um homem de centro, um homem equilibrado”. Se parar para pensar um pouco, o empresariado verá que há uma história muito positiva com o Lula”.

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